terça-feira, 6 de dezembro de 2011

olho todos os dias pela minha janela à espera de te ver a virar a esquina da minha rua. vou à cozinha de três em três horas para buscar algo para acalmar o meu estômago enquanto continuo de volta da janela observando tudo e todos com os meus olhos atentos ainda cheios de esperança que já vai escassando. e assim passa um, dois, três, quatro dias, até um mês nesta rotina. perco a noção do tempo e já não sei em que dia estou. já nada me importa, a solidão já não me incomoda mais. e continuo assim, por muito tempo. triste, sozinha e paciente até ao dia em que a esperança me fuja dos olhos e eu deixe de estar sóbria. (...) tinha o coração a bater a cem quilómetros por hora. corri, corri até estar na segurança da casa de banho das raparigas ao pé da minha sala. não consigo perceber que raio de aperto no estômago é este, apesar de gostar da sensação acho-a desconfortável, nova para mim. abro a porta da casa de banho devagar rezando para que não estivesse lá ninguém. tive sorte. o corredor estava vazio, já tinha tocado á séculos. encaminho-me para a minha sala mas mudo de ideias. vou lá para fora, a última coisa que me apetece é estar fechada numa sala a aprender coisas que não quero saber. já fui boa aluna, mas a escola e as notas já não me interessam mais, aliás já nada interessa(...)